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Manejo Além destes aspectos determinantes para a caracterização da espécie, descrito no capítulo anterior, importante também é o seu comportamento selvagem, estrutura social, e o esquema de vida familiar dos animais que tem a tendência de se alterar e até desaparecer com o decorrer da criação e manejo incorretos, como:
1- Sistema Confinado: os javalis são criados praticamente como os porcos domésticos e depois comercializados para consumo in natura como carne. As áreas são restritas a poucos m2 por animal em instalações de alvenaria. Não é recomendada a utilização deste método para os animais puro sangue PS-36 cromossomos, pois com o passar das gerações existe o perigo do animal perder suas características naturais de origem. 2- Sistema semi-confinado: os javalis são criados em áreas mais amplas e abertas e são comercializados como animais de reprodução, reposição aos parques de caça, ou para consumo como carne. Nós da Fazenda Palmira, optamos por este sistema por termos como objetivo criar o Javali da forma mais próxima à sua natureza, para que no decorrer das gerações ele não perca as suas características raciais e selvagens. Com isto, os animais criados por nós permanecerão com seu biótipo, hábitos e costumes originais e facilmente podem ser readaptados ao seu habitat natural, em semi liberdade ou em total liberdade. Os melhores resultados de adaptação neste caso advém, quando os animais são soltos jovens com idade ao redor de 5/6 meses. Em nosso sistema, semi confinado, adotamos uma maior área por animal e a seguinte forma de manejo uma área para
os reprodutores a) reprodutores: A superfície dos piquetes será em função do no de animais: 1 macho e 5 fêmeas podem ocupar 1200 m2 no mínimo sobre piso de terra que poderá ser plantado com: árvores de sombra, capim nascer, colonião, coast-cross, estrela etc. No caso de se utilizar 4 piquetes, um deles deve permanecer em descanso, o que permitirá, pela rotação controlada, uma rebrota do verde e desinfecção periódica do recinto. Os cercados consistem em um alambrado na parte acima do solo de aprox 1.90 metros de altura e uma parte subteranea tipo baldrame de aprox 40 ctm. para evitar que escapem por baixo ao cavoucar a terra. Os melhores alambrados são os de malha travada (soldada não) tipo Belgo Mineira - Campestre com espaçamentos progressivos de baixo para cima. complementados com fiadas de arames liso reforçado nos niveis 0 - 20 - 50 - 100 - 150 ou 160 centímetros dependendo da altura do alambrado e mais 2 ate alcançar 190 ctm de altura entre postes espaçados a cada 2m. A parte enterrada poderá ser feita de alvenaria ou placas de concreto com 4cm de espessura. Para manejo e alimentação é necessário um cercado de aprox.; 3x5=15 m2 de alambrado, madeira e ou alvenaria com piso cimentado com ou sem cobertura, com cochos para evitar desperdício. Deve ser providenciado também um bebedouro com nível constante próximo ao solo (10-15cm). Pode-se utilizar o tipo existente para suínos. É desejável um barreiro para que possam se revolver e se refrescar, assim como troncos fortes para que possam se coçar. b) maternidade: De 10 a 15 dias antes de parir, a javalina ou a gironda deve ser transferida para um recinto de área aproximada de 60 m2 . Esta área deve ter uma parte do piso cimentada para o trato e bebedouro, além de um abrigo de 2 x 2 m (mínimo), fechado em 3 lados e coberto a 1.5 m do piso com telha de amianto. O alambrado de fio 12 deve ter malha não mais de 2” para evitar passagem ou escape dos recém nascidos. O restante do recinto pode ser arborizado e plantado com quicuio, coast cross, estrela etc. Deve-se colocar à disposição da fêmea: palha, ou feno para a confecção do ninho que a própria javalina se encarrega de montar. Filhotes: Os filhotes não podem ser tocados antes do 4o dia, sob risco de serem rejeitados pela mãe. Após este período, recomenda-se aplicação de ferro nos filhotes. Não é necessário cortar os dentes. Os filhotes em fase de aleitamento podem apresentar diarréia, tosse, e em alguns casos até pneumonia. Isto ocorre devido a fatores climáticos ou alimentares devendo ser medicados com os mesmos produtos indicados para os suínos, conforme orientação veterinária. Na segunda semana já começam a se alimentar devendo ser providenciada ração específica em comedouro próprio fora do alcance da mãe. Após 15 dias, a fêmea e seus filhotes podem ser transferidos para a área de cria onde permanecerão por mais 50 dias. O recinto deve ser deixado vago por um período suficiente para permitir uma boa higienização e rebrota do verde conforme a possibilidade. c) cria: Esta área pode ter a mesma conformação da área destinada aos reprodutores equipada para poder alocar 5 fêmeas e seus filhotes que deverão ter aproximadamente a mesma idade para evitar a disputa pela amamentação e alimentação. A mãe deve ser alimentada com ração específica para amamentação, em separado dos filhotes. Assim como na natureza, neste período as fêmeas se agrupam vivendo em companhia, formando uma comunidade. A cada 50 minutos aproximadamente, de 9 à 11 vezes ao dia alertados e pressionados pelos filhotes se acostam quase contemporaneamente para amamentar suas crias. Os filhotes agrupados brincam o tempo todo, disputam corridas e forças, dando condições para o seu melhor desenvolvimento. Após o desmame (65/85 dias decorridos do nascimento), as fêmeas voltam ao recinto dos reprodutores reiniciando o ciclo reprodutivo e os filhotes serão encaminhados por grupos de tamanho / idade para a área de recria. d) recria: Os animais em fase de recria e engorda são mantidos em piquetes que também podem ser plantados (árvores de sombra e vários tipos de forrageiras). Após o 5/6o. mês de idade, os machos devem ser separados das fêmeas e selecionados quanto ao destino futuro (reprodução ou consumo). Deve-se prever um espaço de no mínimo; 30 m2 pôr animal até os 6 meses de idade e 60 m2 ou mais para os mais velhos, conforme o caso. 3 - Sistema de Semi Liberdade: os animais vivem em grandes áreas, de maneira muito próxima às condições de vida natural. Este sistema permite um bom grau de reprodução de animais com características muito próximas ao seu estado selvagem, possibilitando várias modalidades de utilização desde sua captura para comercialização (matrizes/carne); a prática da caça esportiva, como também através do turismo / safári fotográfico. Este método de criação de Javalis, (*) exige grandes áreas com boa cobertura vegetal adequada às suas necessidades. Como regra geral para cada 100 animais deve-se dispor de 300 ha com presença de água em abundância, um barreiro, estruturando-a com várias áreas de mata com presença de frutíferas, e circundadas por amplos corredores de campo para pasto o que permite fácil transito para plantio de capins e cereais silvestres assim como faculta o acesso, cerco e combate a eventual incêndio. Este recinto deverá ter cercado de alambrado de 2 m. de altura sendo 1.5 m. de alambrado de malha travada por nó tipo utilizado na Nova Zelândia e fabricado aqui pela Belgo Mineira - Campestre de espaçamento progressivo de baixo para cima, reforçado com fiadas de arame liso aos níveis de 0-20-50-100-150 centímetros e mais 2 ou 3 fiadas ate atingir 200 de altura. Uma proteção de 40/50 cm abaixo do nível do solo é necessário podendo ser de alambrado enterrado com arame farpado disposto horizontalmente. O alambrado da parte subterrânea pode ser substituído por blocos de cimento, tijolos e ou placas de concreto com 3/4 cm de espessura. Neste sistema de criação é indispensável a preservação do meio ambiente. Numerosos fatores entram em conta. Os mais importantes são:
Como medida de segurança, a área deve possuir externamente ao longo da cerca, um caminho suficientemente desobstruído e limpo para o tráfego de tratores, veículos 4x4, caminhões, etc. Isso permite o acesso à fiscalização, controle e manutenção do cercado, servindo também como aceiro para a proteção contra o fogo. No interior do parque pelos corredores destinados à pastagem o piso deve permitir quando necessário, o trânsito e acesso na direção das águas, bebedouros, comedouros e saleiros para o controle fito-sanitário, do meio ambiente e para o bom desenvolvimento da criação e segurança do sistema. Este método de criação permite ao animal(ais) ou grupo(s), ou família(s), encontrar(em) nesta área a possibilidade de escolher o local mais adequado as suas necessidades de aconchego, exercício e alimentação. Assim, os javalis permanecem selvagens com os seus hábitos de vida e reprodução. Caso necessário, a complementação de alimentos deverá ser feita com fórmula específica para o desempenho ideal. Um local cercado com piso (cimentado ou não) é recomendável para o fornecimento adequado da alimentação. Isto condicionará os animais ao hábito de visitar o local sem medo, o que facilita, quando necessário, a sua captura para manejo e outros fins. (*) Lembramos que outros animais herbívoros e aves da fauna silvestre e exótica podem ser criados juntamente com o javali, desde que no conjunto, as variedades existentes e/ou introduzidas sejam compatíveis, ou até complementares e que não venham a prejudicar o equilíbrio do meio ambiente.
ALIMENTAÇÃOÉ primordial na criação do javali, ela determina o crescimento dos filhotes e condiciona a reprodução. Sua alimentação natural conforme descrita anteriormente é essencialmente constituída: 95% de produtos vegetais (frutas silvestres, castanhas, tubérculos, batata, beterraba, capins consumidos por caprinos, eqüinos e bovinos) e cereais (trigo, milho, milheto, aveia, arroz, soja etc.) e 5% de produtos de origem animal (ovos, aves, pequenos animais, ossos de animais mortos, larvas, minhocas, rãs, peixes, etc..etc). A ração balanceada específica para suínos conforme as fases: inicial, crescimento/reprodução/amamentação substitui e complementa a maioria de suas necessidades . A título de esclarecimento, a taxa de matéria gorda não deverá exceder 2.5 % para evitar a formação de gordura. As proteínas, de preferência de origem animal deverão atingir 5/10% para cobrir as exigências do javali, que na natureza consome uma variada seleção de animais conforme descrito acima. Na falta de pastoreio natural, podem ser fornecidas frutas de consumo doméstico (maçãs, bananas, manga, abacate, goiabas etc.) e outras frutas comestíveis de origem silvestre, assim como verduras (couve, abóbora etc.), capins diversos (gordura, napier, colonião, braquiaria, estrela, coastcross etc.) milho verde junto com a planta, cana de açúcar etc, etc. Pode-se variar a alimentação conforme a estação e a disponibilidade de cada região, tendo como objetivo o menor custo e tendo em vista a preservação da textura e gosto da carne. Recomenda-se fornecer o alimento verde ao anoitecer, o que minimiza sua degradação causada pelo calor do sol como também não compromete os hábitos noturnos do Javali. PATOLOGIA- (Le Sanglier - JLBouldoire / J Vassant) Os javalis são de um modo geral, muito mais resistentes às doenças que os porcos domésticos. Entretanto, o fato de viverem em recintos fechados ou menos asseados, pode eventualmente favorecer certas doenças ao perder sua natural resistência imunológica. Carbúnculo - conhecido nos ungulados selvagens. As Epidemias de carbúnculo podem ocasionar a morte de um grande numero de animais. Cervos, cabritos monteses, javalis, raposas, texugos podem ser atacados por esta doença. Na maior parte das vezes, o javali é contaminado pela ingestão de alimentos contaminados por secreções emitidas por um javali doente. Brucelose: é uma doença bacteriana cujos sintomas, com freqüência, aparecem nos genitais, provocando a esterilidade ou abortos, e às vezes extragenitais como o reumatismo, coxeadura ou emagrecimento considerável. Os suínos atingidos não apresentam habitualmente nenhum sintoma aparente. Na natureza eles se contaminam com freqüência através do agente da brucelose advinda da presença da lebre selvagem assim contaminada. Bronquite verminótica: É a peste negra para os criadores e é terrível para os filhotes. É uma doença parasitária devida a um pequeno verme que se prolifera nos pulmões. É causada principalmente pelo Dictyocaulus viviparus e pelo Chaerostroglylus pubendotectus que em estado larval parasitam nas minhocas. Os jovens javalis com menos de um ano são os mais infestados. Eventualmente em recintos superpovoados, fome, frio prolongado ou umidade excessiva podem levar ao enfraquecimento dos animais e os filhotes mais fracos podem morrer. Diarréia dos filhotes: doença infecciosa, septicemia, pode ser muito contagiosa e destruir ninhadas inteiras. Pode ter várias causas, entre outras, uma má alimentação da fêmea grávida, frio, umidade. Como na criação de porcos, um suplemento de ferro é indispensável, nos primeiros dias de vida dos filhotes. Febre aftosa: é também uma doença viral que atinge os ruminantes e os suínos. Caracteriza-se por um episódio de febre seguido pela erupção de aftas principalmente na boca, nos cascos e nas mamas. Nos suínos, sua evolução é benigna exceto nos jovens, nos quais ela pode ocasionar uma baixa mortalidade. Gripe porcina: deve-se a um vírus semelhante ao vírus da gripe humana. Ainda que muito contagiosa nas criações de porcos, ela alcança, entre os javalis, uma baixa mortalidade da ordem de 4% a 5%. Pode ser transmitida para o javali por contágio direto ou indireto, e mesmo por intermédio de parasitas respiratórios dos porcos infestados pelo vírus. Leptospirose: ocasiona essencialmente abortos nos suínos. Sua origem são os ratos. No homem, a doença pode ser grave e até mortal. Após uma incubação mínima de 15 dias, a evolução da doença se dá em 4 fases: a princípio, febre e dores musculares, seguindo-se a diminuição da febre e o aparecimento de uma icterícia atingindo gravemente o fígado e os rins. Este é o estado em que a morte pode ocorrer ou então assistimos a uma diminuição destes sintomas até o retorno da febre e das dores musculares que precedem a cura. Peste porcina: de origem viral, ela é muito contagiosa. Sua evolução é acompanhada de febre e de problemas digestivos, respiratórios, cutâneos e nervosos. O vírus pode ser muito patogênico e ele é suficiente para matar. Por ser designada como contagiosa é necessário fazer uma declaração aos serviços de vigilância sanitária locais*, sendo então ordenado o abate e destruição por incineração de todos os javalis do recinto atingidos pela doença. Pasteurelose: pode ser, às vezes, a origem de graves epidemias nos recintos de criação de javalis. São principalmente os filhotes que são mais suscetíveis. Ela se traduz por uma forte pneumonia que também pode ser a complicação de uma doença causada por um vírus. De fato, a peste porcina ou a gripe são fatores que favorecem o aparecimento secundário da pasteurelose. Triquinose ou Triquina: é devida ao encistamento de larvas de um pequeno verme cujos adultos vivem no intestino delgado. Não atinge apenas o javali mas igualmente diversos roedores, carnívoros e eventualmente o homem. A carne com destino a consumo humano deve ser fiscalizada pelos órgãos competentes (SIF- Serviço de Inspeção Federal) assim como se procede com as demais carnes inclusive a dos suínos A doença de Aujesky- (Le Chasseur de Sanglier): o javali atingido apresenta sinais nervosos de hiperexitação e de paralisia, que fazia dar a esta doença o nome de "pseudoraiva". Segundo o doutor Bernard Collin pesquisador de doenças de animais selvagens, o rato pode ser o vetor desta doença. Para os cães de caça basta ter contato com as secreções nasais ou a saliva infectado de um javali infectado para ficar exposto. A doença de Aujesky não é transmissível ao homem. A fauna selvagem tem geralmente boa saúde: cada espécie está de fato um pouco protegida, a longo termo, pelo desaparecimento, à curto prazo, dos indivíduos doentes. Seria então ilusório de desejar manter artificialmente as populações através da multiplicação de tratamentos preventivos ou curativos isto seria uma seleção às avessas, indo ao encontro de uma seleção dirigida pela procura de uma resistência natural à doença. Os tratamentos medicamentosos dos javalis doentes na natureza é difícil. Entretanto certo numero de medicamentos podem ser incorporados aos complementos alimentares, administrados no inicio da primavera, fora da estação de caça. É imperativo cuidar por 8 à 10 dias mas sobretudo não durante o ano todo, pois deve-se saber que a administração continua ou muito freqüente de substancias anti-parasitarias nos alimentos arrisca-se a levar a uma certa adaptação, resistência dos parasitas aos produtos utilizados e de torna-los totalmente ineficazes e inúteis. Uma doença deve ser tratada imediatamente nas pequenas populações, senão a infestação ocorrera por 2 à 5 anos. Aconselha-se vermifugar os javalis duas vezes por ano, na primavera e no outono, com um vermífugo polivalente atacando de uma vez, como nos cervídeos, os nematóides gastrintestinais e pulmonares. As experiências mostram que essencialmente os filhotes são os maiores ameaçados pelas doenças infecciosas e parasitárias. Eles são péssimos doentes, i.e. difíceis de tratar e sujeitos ao estresse, concluindo-se que a necessidade de prevenir é maior que a de curar. A vigilância da fêmea sobre seus filhotes é um dos maiores problemas quando è necessário tratá-los. Na criação natural, o filhote não se torna adulto até que supere uma impiedosa seleção e o criador deve evitar esta seleção tomando medidas preventivas contra todo o risco de contaminação, principalmente através da desinfecção das áreas (maternidade, etc) realizada com cal ou sulfato de amônia ou ainda com outro desinfetante apropriado para suínos. Um repouso das áreas de pelo menos dois meses é aconselhável. Para com os filhotes deve-se sempre agir para o bem estar do animal; na maternidade o recinto deve estar sempre seco com palha/feno à disposição. Na medida do possível é importante um suplemento de ferro através de injeção ou ministrado à ração além de serem tratados periodicamente contra as verminoses. No desmame os javalis devem ser vacinados contra a pasteurelose, brucelose, leptospirose e aftosa. O estabelecimento de um controle sanitário eficaz previne, detecta e evita problemas tanto a nível da criação, quanto no que concerne à qualidade da carne para consumo humano. Os resultados obtidos mostram que uma profilaxia acertada, aliada à uma consciência de manejo adequada à conservação dos hábitos e características genéticas e raciais garante o sucesso de uma criação de autênticos Javalis Selvagens
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